Conto Assustador: 2
O pânico me deu forças para dar um passo atrás, quebrando o transe. Caí de costas no chão do corredor escuro. Quando olhei novamente para a porta aberta do banheiro, a coisa estava projetando a cabeça e os ombros para fora da moldura, rastejando para o meu mundo com um sorriso macabro e distorcido que revelava dentes finos e pontiagudos.
Eu estava parado diante da pia, segurando uma escova de dentes. Minha imagem refletida fazia exatamente os mesmos movimentos, mas havia um atraso quase imperceptível. Uma fração de segundo depois que eu piscava, o meu outro eu do espelho fechava os olhos. Quando sorri para testar, o reflexo demorou um suspiro a mais para curvar os lábios. E o sorriso dele era ligeiramente mais largo do que o meu. Conto assustador 2
O reflexo no espelho do banheiro não era mais o meu. Percebi isso na segunda noite em que me mudei para o velho apartamento herdado de meu avô, um casarão no centro histórico onde o ranger da madeira parecia contar segredos de séculos passados. No primeiro dia, achei que fosse apenas o cansaço da mudança pregando peças na minha mente. Mas agora, na calada da madrugada, a certeza me gelava a espinha. O pânico me deu forças para dar um
Enquanto eu continuava com os braços abaixados, paralisado pelo terror puro, a figura no espelho ergueu lentamente a mão esquerda. Ela tocou a superfície do vidro pelo lado de dentro. Um som estridente de unhas arranhando o cristal ecoou pelo banheiro pequeno. A criatura que usava o meu rosto inclinou a cabeça para o lado, e seus olhos, antes castanhos como os meus, tornaram-se duas fendas completamente negras e vazias. Eu estava parado diante da pia, segurando uma







